Wall Street Journal compara PCC à máfia italiana: 'Eficiência de multinacional'
O Wall Street Journal, dos EUA, publicou na segunda-feira (20) uma
reportagem que aponta o PCC, nascido nos presídios paulistas, como uma
facção de uma “eficiência de uma corporação multinacional”. A matéria ainda comparou o grupo brasileiro à máfia italiana e o classificou como a “potência global na rota da cocaína”.
De acordo com o jornal, a organização que começou na década de 1990 com
detentos exigindo itens básicos, como sabonete e papel higiênico, hoje
soma cerca de 40 mil membros. O grupo opera em quase 30 países, espalhados por todos os continentes, com exceção da Antártida.
“Atualmente, o grupo conta com cerca de 40.000 membros atrás das
grades e nas ruas, além de uma vasta rede de afiliados — o que o torna,
segundo algumas estimativas, o maior grupo criminoso das Américas,
operando em quase 30 países em todos os continentes, exceto na
Antártida”, afirma a matéria.
A publicação norte-americana destaca que, diferentemente dos
narcotraficantes mexicanos, das milícias colombianas ou da violência do
CV no Rio de Janeiro, os membros do PCC mantêm um perfil discreto e voltado para os negócios.
De acordo com a reportagem, eles buscam “fortuna, não fama”, evitando
ações gratuitas que atraiam a atenção da polícia e da imprensa.
Ainda segundo a matéria, quem entra no PCC passa por um “rigoroso
código de conduta interno, e suas cerimônias de juramento às vezes são
realizadas por videoconferência”.
O texto cita que a organização brasileira forjou alianças estratégicas com a ‘Ndrangheta – máfia italiana -, a Yakuza – do Japão – e gangues da Albânia e da Sérvia para enviar toneladas de drogas a portos europeus, como Antuérpia, Roterdã e Hamburgo.
Ameaça aos EUA
Embora a Europa seja o mercado mais lucrativo para a cocaína
exportada pelo PCC, a facção já é considerada um problema aos Estados
Unidos.
Segundo o The Wall Street Journal, autoridades paulistas já identificaram em seus organogramas uma “divisão norte-americana” do PCC. O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou o grupo em 2021 e, em 2024, congelou bens de operadores financeiros ligados à facção.
Hoje, autoridades americanas rastreiam indivíduos afiliados ao PCC em
estados como Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee.
Em Massachusetts, brasileiros ligados ao grupo já foram acusados de
tráfico de armas pesadas e fentanil.
De acordo com o portal, o avanço e a complexidade do grupo levaram
policiais e promotores do Brasil a pedirem que o governo dos EUA
classifique o PCC oficialmente como uma Organização Terrorista Estrangeira.
Por
Nícolas Robert