Uma bandeira cubana
tremula perto de uma área destruída do depósito de combustível que foi
envolvido em chamas por cinco dias depois que um raio atingiu um de seus
tanques, em Matanzas, Cuba, em 10 de agosto de 2022. engolfar um
depósito de combustível foi finalmente controlado, embora ainda não
extinto. O incêndio deixou um bombeiro de 60 anos morto e 14 colegas
desaparecidos, segundo as autoridades.
A tensão entre EUA e Cuba voltou a subir drasticamente nas últimas semanas. O governo de Donald Trump ampliou sanções econômicas, aumentou a pressão diplomática e passou a usar um discurso cada vez mais agressivo contra Havana, movimento parecido com o usado anteriormente contra a Venezuela antes da captura de Nicolás Maduro.
Recentemente, Trump indiciou o ex-presidente cubano Raúl Castro pela derrubada de dois aviões em 1996. As acusações intensificam a forte pressão que Washington já exerce sobre a ilha, submetida a um embargo desde 1962 e agora devastada por uma crise econômica e energética. Trump alterna ameaças com ofertas de diálogo com a ilha, como já fez com a Venezuela, onde retirou Maduro do poder e o levou aos EUA para julgamento.
Sobre o indiciamento de Raúl Castro, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, declarou se tratar de movimento criado para justificar uma futura investida militar
sobre o país. “Trata-se de uma ação política, sem qualquer base
jurídica, que só busca engrossar o dossiê que fabricam para justificar o
desatino de uma agressão militar a Cuba”
Trump já havia assinado um
decreto ampliando as sanções contra o governo cubano, mirando
integrantes do aparato de segurança, militares e aliados do regime de
Havana. A medida foi assinada no início de maio, colocando mais pressão sobre o país pouco depois de tirar Nicolás Maduro do poder na Venezuela.
O presidente cubano advertiu na segunda-feira (18) sobre um “banho de sangue” caso Washington invada a ilha,
além de reivindicar o direito de se defender, um dia depois de o site
de notícias americano Axios informar que Cuba adquiriu mais de 300 drones militares da Rússia e do Irã.
Essa informação foi publicada em meio à crescente especulação de que o
governo do presidente norte-americano, Donald Trump, estaria avaliando
empreender uma ação militar para derrubar a gestão do país.
Sufocamento
Logo após a ação contra Maduro, Trump repetiu publicamente que Cuba “não sobreviverá sem o petróleo venezuelano”, convidando o governo cubano a negociar com Washington antes que fosse tarde demais. Na Venezuela, sanções econômicas e o bloqueio das exportações da PDVSA,
empresa estatal venezuelana responsável pela exploração, produção,
refino e comercialização de petróleo e gás natural, atacaram diretamente
a base financeira do país.
Washington interrompeu o fornecimento de petróleo venezuelano para Cuba após a derrubada de Maduro, que era o principal aliado da ilha, e ameaça com sanções qualquer país que lhe vender combustível, estrangulando as fontes de energia da ilha que é fortemente dependente de combustíveis fósseis importados.
O bloqueio petrolífero de Trump
mantém praticamente paralisada a economia cubana, ao mesmo tempo em que
agravou a grave crise econômica que o país já enfrentava, com falta de
alimentos, medicamentos e prolongados apagões, sem poder receber
produtos vindos do exterior.
A União Nacional Elétrica (UNE) cubana anunciou recentemente que um apagão deixou mais de 10 milhões de pessoas sem energia
na Ilha, em meio ao desabastecimento causado pelo bloqueio de petróleo
imposto pelos Estados Unidos. A capital chegou a registrar cortes de mais de 15 horas, que podem se prolongar por mais de um dia nas províncias.
Criminalização
Antes da captura de Maduro, os EUA acusaram oficialmente o líder venezuelano, criando uma justificativa jurídica e política para futuras operações. Na Venezuela o movimento aconteceu atraves do Cartel de los Soles,
grupo historicamente associado a militares de alta patente e figuras
próximas ao ex-presidente, que após sua captura foi acusado nos Estados
Unidos de quatro crimes federais: conspiração para o
narcoterrorismo, conspiração para a importação de cocaína, posse de
metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir
esses mesmos artefatos em apoio a atividades criminosas, bem como
colaborar com organizações criminosas classificadas como terroristas por
Washington.
Agora, Washington faz movimento parecido contra Cuba,
repetindo a estratégia de criminalizar líderes, através da acusação
recente feita sobre Raúl Castro. Segundo autoridades americanas, a
investigação está ligada ao caso de 1996, quando aviões da organização
“Brothers to the Rescue”, formada por exilados cubanos em Miami, foram
derrubados por caças cubanos, na época em que Raúl era ministro da
Defesa do país.
A ameaça é real?
Após a investida contra Castro, Trump declarou ser um “momento muito importante”,
se dirigindo à população cubano-americana. “Acho que foi um momento
muito importante, não apenas para os cubano-americanos, mas para as
pessoas que vieram de Cuba e querem voltar para Cuba.”
O presidente americano se posicionou na quarta-feira (20) sobre a tomada de Havana, afirmando que os Estados Unidos não precisam realizar uma escalada contra Cuba porque o país está desmoronando sozinho. “Não haverá uma escalada, não é necessário. Está caindo aos pedaços. Realmente perderam o controle de Cuba.”
Logo antes da invasão da Venezuela, Trump também citou não acreditar que os EUA se envolveriam em uma guerra contra o país. A fala foi feita em um momento em que os Estados Unidos enviavam militares e navios ao Caribe, onde executaram vários ataques contra embarcações que supostamente atuavam no tráfico de drogas.
Agora, de acordo com uma publicação feita pelo Comando Sul dos Estados Unidos nas redes sociais, o porta-aviões americano USS Nimitz foi posicionado no mar do Caribe,
fazendo uma demonstração de prontidão estratégica, alcance e
intimidação. “O porta-aviões USS Nimitz, o grupo aéreo embarcado CVW-17,
o USS Gridley e o USNS Patuxent são o epítome de prontidão e presença,
alcance e letalidade incomparáveis e vantagem estratégica”.
*com informações do Estadão, AFP e Reuters