O mercado da soja foi intensificando suas perdas
na Bolsa de Chicago, chegou a perder mais de 30 pontos ao longo do dia,
e fechou os negócios desta quinta-feira (4) recuando entre 25,25 e
26,75 pontos nos principais contratos. O julho terminou o dia com US$
11,28 e o agosto com US$ 11,32 por bushel.
O recuo intenso dos derivados, liderado pelo óleo que perdeu quase 3%
somente nesta quinta, combinado com as baixas do petróleo e o clima
favorável para a nova safra dos EUA foi o combinado perfeito para a
despencada dos futuros da oleaginosa na CBOT.
Segundo análise do Grupo Labhoro, porém, o mercado também sentiu o
peso de rumores envolvendo a demanda da China no mercado
norte-americano.
"Circularam rumores de que as tarifas americanas, agora sob a seção
301, podem levar a China a não cumprir suas promessas de compras de soja
e grãos dos EUA. Jamieson Greer, representante comercial dos EUA,
afirmou hoje que o governo acredita ser possível implementar novas
tarifas sem descumprir os acordos comerciais já firmados com os
diferentes países", afirmaram os analistas da consultoria.
"Estes temores e incertezas levaram os investidores, que se
encontravam sobre comprados, a um forte movimento de venda",
complementou a Labhoro.
Além disso, o dia foi de perdas generalizadas e agressivas para as
commodities agrícolas nas bolsas internacionais, as quais seguem
refletindo o quadro geopolítico - em especial a atual situação de
indefinição no Oriente Médio e o cessar-fogo no Líbano - e as baixas que
se registram no mercado do petróleo.
"Os preços da soja ampliaram as quedas, acompanhando a retração do
óleo de soja e a queda acentuada do petróleo, em meio a notícias de um
acordo de cessar-fogo entre Israel e Líbano, que aumentaram as
esperanças de um acordo mais amplo para encerrar a guerra entre EUA e
Israel com o Irã, o que poderia levar à reabertura do Estreito de
Ormuz", traz o portal norte-americano FarmProgress.
Além disso, os preços continuam refletindo as boas perspectivas sobre
a nova safra dos Estados Unidos e as condições climáticas favoráveis ao
desenvolvimento das lavouras no país.
As previsões seguem indicando a manutenção de um cenário adequado
para a conclusão do plantio e o avanço da temporada, e se combinam com a
pressão que a geopolítica ainda exerce sobre as commodities agrícolas.
Além disso, os traders também ajustam suas posições à espera da
chegada do novo boletim mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento
de Agricultura dos Estados Unidos) e dos novos dados de área que serão
revisados e apresentados no fim deste mês. A soja deve trazer a
confirmação de uma área maior, como já sinalizado em março e esperado
pelo mercado.
Dados que foram reportados nesta quinta-feira pelo departamento, de
vendas semanais para exportação que vieram fracos, mas dentro das
expectativas, não foram suficientes para dar um fôlego ao mercado.
Já no Brasil, o mercado esteve fechado em função do feriado de Corpus
Christi, e mesmo que retome parte dos negócios nesta sexta-feira deve
registrar um ritmo mais lento e limitado neste final de semana.