A quinta-feira terminou com perdas expressivas de mais de 2% para os
preços do café arábica na Bolsa de Nova Iorque. Os contratos mais
negociados terminaram o dia caindo entre 2% e 2,3%, com o julho sendo
cotado a 247,35 cents de dólar por libra-peso, enquanto o dezembro foi a
235,45 cents/lb.
Com o recuo desta sessão, as cotações testam suas mínimas em 19 meses
no mercado futuro norte-americano, e o robusta - que também cedeu na
Bolsa de Londres nesta quinta-feira - chegando aos seus menores valores
em sete semanas.
O avanço acelerado da colheita no Brasil e projeções de uma oferta
global robusta são os principais fatores que pesam sobre as mesas de
negociação, apesar de problemas pontuais que registra a safra do Brasil
nos últimos dias.
O clima predominantemente seco e de altas temperaturas nas principais
regiões produtoras brasileiras tem favorecido o bom avanço dos
trabalhos de campo nos cafezais do país, garantindo a chegada do grão
novo ao mercado e pesando sobre os preços. Os vencimentos mais alongados
estão ainda mais baixos.
Os números continuam sinalizando uma safra recorde no Brasil nos
relatórios oficiais, porém, há divergências ainda sobre o tamanho da
oferta entre especialistas e produtores, em especial sobre a safra do
arábica.
"Embora os estoques certificados globais sigam em níveis
historicamente apertados, analistas de mercado apontam que, a menos que
ocorra um evento climático extremo nas próximas semanas na América do
Sul, a tendência é de que o mercado internacional acomode os preços em
patamares mais baixos, consolidando uma transição para uma fase de folga
na oferta global", afirmam analistas e consultores internacionais.
O mercado físico brasileiro reflete o recuo externo, operando com ritmo lento e negócios apenas pontuais nos últimos dias.
"O mercado físico brasileiro de arábica permanece calmo, praticamente
paralisado. Os cafeicultores que ainda têm lotes de café arábica da
safra atual, 2025/2026, relutam em vender nas bases de preços praticadas
pelos compradores, mas diariamente saem alguns negócios", explicou o
consultor de mercado Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório
Carvalhaes.
Por:
Carla Mendes