O mercado internacional do café encerrou esta
terça-feira (14) com comportamento distinto entre as bolsas. Depois de
iniciar o dia em alta, impulsionado pelas preocupações com o clima e a
oferta global, o café arábica perdeu força ao longo do pregão e fechou
em queda na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Em Londres (ICE
Europe), o robusta conseguiu sustentar ganhos modestos.
O contrato setembro/26 do arábica encerrou cotado a 326,10 centavos
de dólar por libra-peso, com baixa de 390 pontos. O vencimento
dezembro/26 terminou a 308,00 centavos, recuando 305 pontos.
Já o robusta registrou desempenho positivo. O contrato setembro/26
fechou a US$ 3.849 por tonelada, alta de 15 pontos, enquanto o
novembro/26 encerrou a US$ 3.800, avanço de 4 pontos.
Ao longo da sessão, o mercado passou por um movimento de correção
após a tentativa de recuperação observada na abertura. As preocupações
com o desenvolvimento da safra brasileira e com o comportamento do clima
seguem oferecendo sustentação às cotações, mas os investidores
continuam alternando compras e realização de lucros em um ambiente de
elevada volatilidade.
O avanço da colheita no Brasil permanece no centro das atenções.
Apesar da entrada gradual da nova safra, o fluxo de oferta ainda ocorre
de forma moderada, enquanto parte dos produtores mantém postura
cautelosa nas vendas à espera de definições sobre produtividade,
qualidade dos grãos e comportamento do mercado nas próximas semanas.
Dados divulgados pela Organização Internacional do Café (OIC) e
repercutidos pela Safras & Mercado mostraram que os preços
indicativos globais do café recuaram 28% em junho, refletindo a
expectativa de maior disponibilidade do produto com o avanço das
colheitas nos principais países produtores. Ainda assim, o mercado
continua sensível às condições climáticas e aos baixos estoques, fatores
que seguem limitando movimentos mais intensos de baixa.
No mercado brasileiro, as oscilações das bolsas internacionais nem
sempre chegam integralmente ao produtor. Além da variação do câmbio,
fatores como custos logísticos, diferenciais de qualidade, prêmios e
estrutura de comercialização influenciam a formação dos preços internos,
reduzindo a transmissão direta das altas e baixas registradas nas
bolsas internacionais.
Com a colheita avançando e as previsões climáticas permanecendo no
radar, a expectativa é de que o mercado continue operando com elevada
volatilidade nas próximas sessões, reagindo rapidamente a novas
informações sobre oferta, demanda e clima.