O ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal),
autorizou a Polícia Federal a investigar o ministro Moura Ribeiro, do
STJ (Superior Tribunal de Justiça), em inquérito sobre venda de decisões
judiciais na corte.
É o primeiro ministro do STJ investigado no caso, cujas apurações tramitam no Supremo desde 2024.
A
investigação aponta decisões do ministro sob suspeita de terem relação
com o lobista Andreson de Oliviera Gonçalves e sua esposa, Mirian
Ribeiro, além de transferências a um funcionário que atou no gabinete
dele em 2019, e saiu do tribunal em 2021.
Procurado
por meio da assessoria do STJ, Moura Ribeiro disse que "desconhece a
existência de investigação instaurada sobre decisões que tenha
proferido".
"O
servidor citado pelo jornal atuou como 'assistente de plenário' de
30/01/2019 a 16/06/2019, tendo antes trabalhado em outro gabinete, e foi
exonerado da função após atuação irregular, a pedido do próprio
Ministro."
"Magistrado
há mais de quatro décadas, o ministro Moura Ribeiro tem trajetória
honrada e enfatiza que são completamente improcedentes quaisquer
tentativas de associá-lo a fatos criminosos."
A
defesa de Andreson e Mirian sempre negou que ele tivesse cometido
irregularidades. Procurado, o advogado dos dois, Eugênio Pacelli, diz
que "não surpreende a busca de alguma autoridade pra legitimar a
permanência da jurisdição do STF" e que a própria PF diz que ainda não
tem elementos suficientes para concluir se o ministro cometeu
irregularidades. O foro especial de integrantes do STJ é no Supremo.
A informação sobre a decisão de Zanin foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.
O
funcionário do STJ que atuava para Moura Ribeiro era um auxiliar das
sessões da corte, chamado de "capinha". Outros ministros já estranhavam a
condutas do funcionário à época da sua atuação do tribunal. Foi aberto
um processo administrativo contra ele e o STJ decidiu pela sua
exoneração.
Em
maio, a PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou nove pessoas na
investigação sobre suspeita de vendas de decisões judiciais no STJ.
Entre
os denunciados, estão Andreson e Mirian. Também foram denunciados um
ex-servidor do STJ que trabalhou em diversos gabinetes, e o ex-chefe de
gabinete da ministra Isabel Gallotti.
Até aquele momento, nenhum ministro do tribunal era investigado, e a denúncia não menciona qualquer membro da corte.