Apresentado em Rhode Island,
o processo contesta as políticas da Agência Federal de Gestão de
Emergências (FEMA) e do Departamento de Segurança Interna (DHS),
defendendo que o governo está exigindo que os estados alterem seus
sistemas eleitorais e auxiliem o DHS na fiscalização da imigração.
As condições permitiriam também que o DHS cancelasse as verbas a qualquer momento e por qualquer motivo.
O
procurador-geral de Rhode Island, Peter Neronha, acusou o governo de
Donald Trump de "mais uma vez, ameaçar colocar em risco a segurança
pública ao reter ilegalmente bilhões em financiamento essencial",
prometendo que "mais uma vez, não sairá impune".
"Este
governo está usando a segurança dos americanos como garantia, tentando
coagir os estados a abrirem mão do seu direito constitucional de
promulgar políticas e leis que melhor sirvam aos seus residentes",
declarou Neronha.
Os
estados argumentam que a imposição de condições ao financiamento
aprovado pelo Congresso viola a Lei de Procedimento Administrativo e a
cláusula de despesas da Constituição.
O DHS não se pronunciou sobre a ação judicial.
O
processo é um dos muitos contra os esforços do governo Trump para
coagir os estados, em sua maioria governados por democratas, a se
adaptarem às suas prioridades — especialmente medidas de fiscalização da
imigração — para terem acesso a fundos federais. A estratégia tem sido
utilizada no financiamento para a educação, combate à violência
doméstica e até para as rodovias.
Os
tribunais têm considerado essa estratégia ilegal e inconstitucional
reiteradas vezes. Uma decisão do ano passado impediu o governo de impor
condições a outros financiamentos da FEMA, e uma segunda decisão deste
ano impediu o governo de redirecionar fundos do DHS de estados que não
sejam considerados favoráveis à sua agenda.
O
processo mais recente defende que o governo está tentando aplicar
algumas das mesmas condições ao financiamento de 2026, da mesma forma
que não conseguiu fazer com o financiamento do ano passado.
Entre
as exigências contestadas no processo de quinta-feira está a alteração
dos sistemas eleitorais por parte dos estados. Eles devem fazer a
transição para sistemas de votação em papel, realizar uma auditoria
manual dos sistemas de votação, auditar cadastros de eleitores e
verificar a cidadania de todos os eleitores registrados nas bases de
dados eleitorais do estado.
Se
os estados não cumprirem as exigências, correm o risco de perder pelo
menos 20% do financiamento do Programa de Concessão de Verbas para a
Segurança Interna. Esses fundos são utilizados para financiar medidas de
proteção dos cidadãos contra ciberataques e terrorismo.
Desde
sua derrota nas eleições presidenciais de 2020 para o democrata Joe
Biden, Trump alega, sem provas, que o voto por correio está repleto de
fraudes e iniciou uma investigação federal sobre a votação daquele ano.
Auditorias
e investigações repetidas, incluindo algumas conduzidas por
republicanos, constataram que não houve fraude generalizada em 2020, mas
Trump afirmou que pretende "assumir o controle" da administração
eleitoral em áreas governadas por democratas.
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