Os contratos futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago
registram fortes baixas nesta terça-feira (4), acompanhando o movimento
generalizado de liquidação das commodities agrícolas e energéticas. O
cereal segue pressionado pelas perdas expressivas da soja e do trigo -
ambos caindo mais de 1% na tarde de hoje -, além do forte recuo do
petróleo, que voltou a pesar sobre os mercados internacionais ao
estimular um movimento de aversão ao risco entre os investidores.
As perdas tanto no brent, quanto no WTI, passam de 6%, depois de o
mercado ter iniciado o dia com fortes ganhos. As declarações de
autoridades norte-americanas e também do Catar sobre a possibilidade de
uma retomadas das negociações entre Irã e EUA - mesmo que apenas para
uma solução de curto prazo - provocaram uma forte reversão no mercado,
contaminando o complexo soja e os grãos negociados na CBOT.
Assim, por volta de 12h50 (horário de Brasília), os principais
vencimentos do cereal perdiam de 7,50 a 8 pontos, com o dezembro valendo
US$ 4,64 e o março/27, US$ 4,80 por bushel.
Além do cenário externo, o milho continua encontrando dificuldades
para reagir diante das boas perspectivas para a safra norte-americana.
Apesar da leve redução que ontem o USDA (Departamento de Agricultura dos
Estados Unidos) trouxe em seu boletim semanal de acompanhamento de
safras de 63% para 61% de lavouras em boas ou excelentes condições, a
safra vai se estabelecendo sem grandes ameaças no país, o que limita o
espaço para uma recuperação das baixas.
E os mapas climáticos atualizados seguem apontando para um cenário um
pouco mais favorável para o Corn Belt, com chuvas melhores, até mesmo
acima da média em algumas localidades, apesar das altas temperaturas,
acima da normalidade, em todo o território norte-americano.
"As chuvas dos últimos dias aliviaram parte das preocupações e
trouxeram pressão para as cotações. Tanto na CBOT, quanto na Euronext,
as cotações do milho e do trigo trabalham em queda. A Turquia pediu à
Rússia e à Ucrânia que tomem medidas para garantir a segurança da
navegação no Mar Negro. No Oriente Médio, Scot Bessent comentou que
entre hoje e amanhã pode sair um acordo novo entre Irã e Estados
Unidos", informou a Agrinvest Commodities.
REFLEXOS CHEGAM RAPIDAMENTE À B3
O mercado brasileiro também sentiu os efeitos da forte pressão
externa. Os contratos futuros do milho negociados na B3 operaram em
queda ao longo da sessão desta terça, acompanhando o movimento observado
em Chicago e incorporando o aumento da aversão ao risco nos mercados
globais. E o movimento ocorre mesmo com o dólar voltando a subir frente
ao real, já superando os R$ 5,10.
A desvalorização dos futuros internacionais acabou se sobrepondo ao
suporte normalmente oferecido pelo câmbio e pelas preocupações com a
disponibilidade de oferta em algumas regiões do mercado brasileiro.
Dessa forma, os investidores adotaram uma postura mais cautelosa,
promovendo ajustes nas posições e ampliando as perdas também na bolsa
brasileira.
Perto de 13h (horário de Brasília), os futuros do cereal recuavam de
0,05% a 0,5%, com o setembro valendo R$ 68,43 e o março/27 a R$ 78,33
por saca.
Apesar da pressão sobre os contratos futuros, analistas seguem
destacando que os fundamentos domésticos permanecem relativamente
firmes. A comercialização da segunda safra continua avançando de forma
gradual, enquanto produtores mantêm ritmo moderado de vendas, aguardando
oportunidades mais favoráveis de preços. Esse comportamento pode
limitar movimentos mais intensos de baixa no mercado interno caso
Chicago estabilize nos próximos dias.
Por:
Carla Mendes