A Federação da Agricultura e Pecuária do
Estado de São Paulo (FAESP) repudia a sanção, realizada ontem pela
Presidência da República, da Medida Provisória do Frete (MP nº
1.343/2026). A medida impõe um modelo intervencionista e punitivo ao
transporte rodoviário de cargas que penaliza diretamente o produtor
rural.
Ao endurecer desproporcionalmente as
sanções, ampliar os entraves burocráticos e engessar a tabela de pisos
mínimos, o governo transfere para o setor produtivo, principais
embarcadores, os custos de uma política equivocada, ignorando as causas
estruturais da logística nacional e impondo severos prejuízos ao país.
Atualmente, o modal rodoviário é a
principal base logística do país, escoando entre 65% e 80% da produção
agropecuária. Essa dependência excessiva ocorre porque outros modais
cruciais, como as ferrovias, foram relegados a terceiro plano: para se
ter uma ideia da nossa morosidade estrutural, a construção de 770 km de
uma única ferrovia no Brasil arrasta-se há mais de 20 anos, enquanto
outros países executam obra equivalente em apenas dois anos e meio.
O engessamento das contratações elimina a
liberdade de negociação essencial para acomodar a sazonalidade das
safras, as particularidades regionais e o frete de retorno. Para o
agronegócio paulista e brasileiro — altamente dependente do modal
rodoviário para escoar cadeias estratégicas como cana-de-açúcar, grãos,
café, carnes, leite e hortifrúti —, os impactos deverão devastadores. A
medida provocará uma escalada inevitável nos custos de frete e insumos,
comprimindo ainda mais as margens já estreitas, tirando a
competitividade das exportações brasileiras e repassando aumentos de
preços à mesa do consumidor final.
A Faesp reafirma seu compromisso
inegociável na defesa do setor e continuará atuando em todos os âmbitos
para reverter os retrocessos contidos na MP. Num momento em que os
produtores de alimentos já são fortemente penalizados por falta de
crédito e de seguro rural, dificuldades de renegociar dívidas,
insegurança jurídica, entre outros entraves, a adoção desta medida é ir
contra o setor produtivo que mais contribui para a segurança alimentar
do Brasil e do mundo.
Mais do que nunca se faz necessário um
Plano Brasil, que contemple políticas públicas de longo prazo e que
incluam as questões de infraestrutura eficiente e simplificação
burocrática, e não de intervenções estatais e canetadas governamentais
que paralisam a produção nacional, geram profunda insegurança jurídica e
sufocam quem produz.
SENAR/SP