Pelo menos 819 pessoas
deixaram suas casas após um ataque de grupos insurgentes em Natugo, na
província de Cabo Delgado, em Moçambique. Entre os deslocados estão 349
crianças, o equivalente a 42% do total, segundo dados da Organização
Internacional para as Migrações (OIM).
O
ataque ocorreu em 7 de agosto, no bairro de Natugo, que pertence ao
posto administrativo de Mahate, no distrito de Quissanga. Os confrontos e
o temor de novas ações armadas levaram 370 famílias a abandonar a
região nos dias seguintes.
De
acordo com o mecanismo de monitoramento de deslocamentos de emergência
da OIM, os moradores buscaram refúgio em uma nova área de acolhimento
situada entre as localidades de 1.º de Maio e Napuda, também em Mahate.
Habitações emergenciais estão sendo distribuídas no local.
Grande
parte das pessoas fez o deslocamento a pé. Entre os afetados estão 252
mulheres, 218 homens e 349 crianças. A organização também contabilizou
22 idosos com mais de 60 anos e oito pessoas com deficiência.
Alimentação,
abrigo e proteção aparecem entre as necessidades consideradas mais
urgentes para atender as famílias que chegaram à nova área.
Violência em Cabo Delgado provoca novas ondas de deslocamento
Cabo
Delgado enfrenta uma insurgência armada desde outubro de 2017. O
conflito na região, que concentra reservas de gás natural e recursos
minerais, já deixou mais de 6.600 mortos e provocou sucessivos
deslocamentos da população.
Um
levantamento recente do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação
de Assuntos Humanitários (OCHA) já havia registrado aumento dos
episódios de violência em junho. Os ataques contra civis apareceram como
o tipo mais frequente de ocorrência e atingiram principalmente
distritos onde as necessidades humanitárias são mais graves.
Segundo
o documento, a escalada da violência comprometeu a proteção da
população, dificultou o acesso de organizações humanitárias e provocou
novos movimentos de moradores em busca de segurança.
Dos
incidentes registrados no período, 44, equivalentes a 59% do total,
envolveram violência contra civis. Esses casos deixaram dez pessoas
mortas e resultaram no sequestro de outras 72, supostamente para
recrutamento e trabalho forçados ou para a cobrança de resgate.
Relatório
da OMS e do Health Cluster aponta forte aumento das violações contra
crianças em Moçambique, especialmente em Cabo Delgado. Recrutamento,
sequestros e deslocamentos forçados se agravaram em 2024, enquanto mais
de 1 milhão de pessoas ainda precisam de ajuda humanitária no norte do
país