Uma coluna de fumaça
e um fragmento de concreto se elevam do local de um ataque aéreo
israelense nos arredores orientais de Tiro, no sul do Líbano, em 24 de
março de 2026.
Os bombardeios prosseguiam nesta quarta-feira (25) no Oriente Médio, apesar do plano de paz anunciado por Donald Trump, com mísseis e drones iranianos lançados contra Israel e países do Golfo e ataques israelenses contra Teerã e o Líbano.
Irã e Estados Unidos negociam “neste momento” para tentar encerrar o
conflito iniciado em 28 de fevereiro, afirmou na terça-feira o
presidente Donald Trump. Ele informou que seu enviado Steve Witkoff, seu
genro Jared Kushner, o vice-presidente JD Vance e o chefe da diplomacia
americana, Marco Rubio, participam no processo.
Vários meios de comunicação, incluindo o jornal New York Times e a emissora de televisão israelense Channel 12, afirmam que o governo Trump propôs um plano de paz de 15 pontos ao Irã com a mediação do Paquistão, que mantém boas relações com as partes.
Segundo três fontes não identificadas citadas pelo Channel 12, o
governo dos Estados Unidos propõe um cessar-fogo de um mês, período para
que as autoridades iranianas analisem suas exigências.
Segundo o canal israelense, dos 15 pontos do plano, cinco se referem
ao programa nuclear iraniano, outros impõem o abandono do apoio aos
aliados do Irã na região, como o Hezbollah ou o Hamas, e um tópico exige
que o Estreito de Ormuz permaneça aberto à navegação marítima.
Em contrapartida, o Irã conseguiria a suspensão das sanções internacionais e apoio para seu programa nuclear civil.
Segundo a Organização Marítima Internacional (OMI), o Irã está
flexibilizando a pressão em Ormuz, por onde passava 20% da produção
mundial de hidrocarbonetos antes da guerra, e permitirá a “passagem
segura de navios não hostis”.
O bloqueio da passagem desde o início da guerra provocou a disparada dos preços do petróleo, com cotações acima de 100 dólares por barril.
Na terça-feira, Trump mencionou “um presente muito grande”, uma
possível referência à reabertura parcial de Ormuz, informação que
provocou a queda dos preços do petróleo.
O Irã, no entanto, não confirmou nenhuma negociação e o presidente do
Parlamento do país, Mohammad Baqer Qalibaf — que segundo o site de
notícias Axios seria o interlocutor de Washington — negou
categoricamente qualquer conversação. A imprensa americana também
informou o envio ao Oriente Médio de 3.000 soldados paraquedistas como
reforço.
Incêndio no aeroporto do Kuwait
A guerra iniciada em 28 de fevereiro com a ofensiva dos Estados
Unidos e de Israel contra o Irã não dá sinais de trégua. A Guarda
Revolucionária, o exército ideológico do Irã, anunciou ataques nesta
quarta-feira contra o norte e o centro de Israel, incluindo a região de
Tel Aviv, assim como contra duas bases militares americanas no Kuwait, uma na Jordânia e outra no Bahrein.
Segundo os serviços de emergência israelenses, 12 pessoas ficaram feridas
na terça-feira perto de Tel Aviv por um ou vários mísseis iranianos. No
Kuwait, um ataque com drones incendiou um depósito de combustível no
aeroporto internacional do emirado, segundo a autoridade de aviação
civil, que não relatou vítimas.
Como nos dias anteriores, o Exército israelense anunciou uma série de
ataques “contra as infraestruturas do regime terrorista iraniano em
Teerã”. “O barulho, as explosões e os mísseis já fazem parte da vida
cotidiana”, disse à AFP por telefone uma mulher de 35 anos, nascida no
Curdistão iraniano e moradora de Teerã.
Israel também prossegue com a ofensiva no Líbano, onde pelo menos nove pessoas morreram na madrugada desta quarta-feira em três bombardeios no sul, segundo a agência oficial de notícias ANI. A região é um reduto histórico do movimento pró-iraniano Hezbollah.
Desde que o Líbano foi arrastado para a guerra regional em 2 de março,
os ataques israelenses mataram mais de mil pessoas e provocaram o
deslocamento de mais de um milhão de moradores, segundo as autoridades.
O ministro israelense da Defesa, Israel Katz, afirmou na terça-feira
que as forças do país “manobravam no território libanês para assumir o
controle de uma linha de defesa avançada” até o rio Litani, a quase 30
quilômetros da fronteira.
*AFP