Veja como motoristas estão burlando o pedágio Free Flow, o mesmo implantado da BR-364 em RO

Para tentar reduzir as fraudes, concessionárias intensificaram o uso de câmeras inteligentes

Fonte: CPG | 19/05/2026

Veja como motoristas estão burlando o pedágio Free Flow, o mesmo implantado da BR-364 em RO

(Foto: Reprodução)

Uma nova prática adotada por caminhoneiros passou a preocupar concessionárias e órgãos de trânsito em rodovias federais, especialmente em trechos com cobrança automática de pedágio, onde motoristas escondem parcialmente a placa do veículo para dificultar a identificação pelas câmeras. Esse é o sistema de cobrança que está sendo cobrado em Rondônia, após a concessão da BR 364 à iniciativa privada. Mesmo com a gritaria da população, a classe política local não consegue reverter o procedimento, e nem baixar o valor das tarifas cobradas que, segundo a impressão geral no Estado, são as mais caras do Brasil. Enquanto o sistema Free Flow avança no país como alternativa às praças tradicionais, cresce também o número de tentativas de evasão, que já ultrapassam 6 milhões de registros em rodovias federais nos últimos três anos, segundo dados do setor. Além das manobras conhecidas em cabines convencionais, como atravessar sem pagar ou aproveitar a passagem do veículo à frente, parte dos condutores passou a recorrer à ocultação da placa para escapar da cobrança automática feita por leitura eletrônica. Além de passar sem quitar a tarifa em cabines convencionais, alguns condutores tentam colar no veículo da frente ou ocultar dados de identificação para escapar das câmeras. Truque usado por caminhoneiros preocupa concessionárias Entre os métodos identificados recentemente, um dos mais comentados envolve o uso do degrau instalado originalmente na grade frontal de caminhões, peça que pode ser deslocada de forma irregular para encobrir parcialmente a placa do veículo durante a passagem pelos pedágios. Com a identificação comprometida, câmeras instaladas em praças tradicionais e pórticos eletrônicos deixam de registrar corretamente os dados do veículo, dificultando a emissão automática da cobrança e também a eventual aplicação de penalidades relacionadas à evasão. A prática chamou atenção das concessionárias porque não exige equipamentos improvisados nem alterações complexas na estrutura do caminhão, já que o próprio componente da cabine acaba sendo usado como barreira visual contra os sistemas de leitura eletrônica. O recurso já faz parte da cabine e, quando usado de forma irregular, funciona como obstáculo visual contra sistemas de fiscalização baseados em reconhecimento de imagem. Mesmo assim, circular com a placa encoberta ou com parte do veículo em desacordo com as regras de trânsito pode gerar autuação. O Código de Trânsito Brasileiro prevê punições para irregularidades ligadas à identificação veicular e à evasão de pedágio. Multa por evasão de pedágio e ocultação de placa A evasão de pedágio é classificada como infração grave. A penalidade é de R$ 195,23, além de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação. A regra também se aplica a condutas de transpor bloqueio viário sem autorização ou deixar de pagar a tarifa devida. No caso da placa encoberta, a irregularidade pode enquadrar o motorista em infrações previstas no CTB, conforme a situação verificada pela fiscalização. A ocultação dificulta a identificação do veículo e pode impedir a responsabilização do condutor. Além do valor da multa, a concessionária pode registrar o débito da tarifa não paga. Assim, a autuação não elimina a cobrança do pedágio, que continua vinculada à passagem do veículo pelo trecho concedido. Câmeras e monitoramento eletrônico ampliam fiscalização Para tentar reduzir as fraudes, concessionárias intensificaram o uso de câmeras inteligentes, leitura automática de placas e sistemas integrados de monitoramento capazes de identificar veículos que passam sem realizar o pagamento obrigatório da tarifa. A Arteris, que administra rodovias no Sul e no Sudeste, informou que usa monitoramento eletrônico para identificar veículos que passam sem pagar. A tecnologia permite registrar imagens, consultar histórico de evasões e encaminhar dados aos órgãos responsáveis pela autuação. O sistema também ajuda a identificar reincidências, especialmente em trechos com grande circulação de caminhões e veículos comerciais. Segundo a concessionária, praças monitoradas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná já contam com ferramentas desse tipo. A empresa afirma que a combinação de fiscalização eletrônica e análise de dados reduziu ocorrências em parte das rodovias administradas. Em novembro de 2025, a Arteris registrou queda de 11,25% nas evasões em relação ao mesmo mês de 2024, de 187,8 mil para 166,7 mil ocorrências. Em dezembro, mesmo com aumento do fluxo de fim de ano, a redução informada foi de 6,6%. Sistema Free Flow volta ao centro do debate O Free Flow começou a operar no Brasil em março de 2023, no Rio de Janeiro, como alternativa ao pedágio tradicional. Nesse modelo, o veículo passa por pórticos instalados na rodovia, e a cobrança é feita por leitura de placa ou identificação eletrônica. A promessa do sistema é reduzir filas, melhorar o fluxo e eliminar paradas em praças físicas. No entanto, a mudança também trouxe dúvidas sobre prazos de pagamento, canais oficiais de consulta e aplicação de multas para quem não regulariza a tarifa. O tema voltou ao centro do debate em abril de 2026, quando o governo federal anunciou a suspensão de 3,4 milhões de multas relacionadas ao Free Flow. A medida deu prazo de 200 dias para motoristas quitarem tarifas vencidas sem receber multa nem pontos na CNH. A decisão foi apresentada como uma fase de transição para adaptar usuários ao novo modelo. O governo informou que a suspensão valeria para multas ligadas ao não pagamento dentro do prazo, desde que os débitos fossem regularizados conforme as regras estabelecidas. Evasões em rodovias federais seguem em alta Com a expansão das cabines automáticas e dos pórticos eletrônicos nas rodovias brasileiras, a fiscalização passou a depender cada vez mais da leitura correta das placas para garantir a cobrança das tarifas de circulação. Sem a barreira física da praça tradicional, a identificação correta do veículo passou a ser ponto central para a cobrança. Por isso, esconder a placa se tornou uma tentativa direta de burlar o sistema. Em rodovias com Free Flow, a câmera precisa identificar o veículo para gerar a cobrança, e qualquer obstáculo na placa pode comprometer o registro. Levantamentos citados pelo setor indicam que as evasões em rodovias federais passaram de 3,9 milhões para mais de 6 milhões nos últimos três anos. O número reforça a pressão sobre concessionárias e órgãos públicos para aprimorar a fiscalização. Enquanto isso, motoristas também cobram mais clareza sobre canais de pagamento e prazos. A existência de sites falsos e golpes relacionados ao pedágio eletrônico aumentou a necessidade de comunicação oficial, especialmente para quem não usa tag automática. Fiscalização tenta separar falhas e fraudes A disputa em torno do Free Flow envolve dois pontos principais: garantir a cobrança da tarifa e evitar punições indevidas. Para funcionar corretamente, o sistema precisa registrar a passagem, identificar o veículo e oferecer meios acessíveis para pagamento. Quando o condutor altera a placa ou usa partes do veículo para impedir a leitura, a prática deixa de ser falha operacional e passa a ser conduta irregular. Nesses casos, a fiscalização eletrônica pode ser combinada com imagens, histórico de passagem e comunicação aos órgãos de trânsito. O avanço da tecnologia nas rodovias tende a aumentar a capacidade de detecção. Ainda assim, a efetividade depende de integração entre concessionárias, órgãos autuadores e canais de atendimento, para separar inadimplência por desconhecimento de tentativas deliberadas de fraude.